DE EUGÊNIO BARROS A JOÃO ALBERTO, ALGUNS FATOS ESCABROSOS DA POLÍTICA DO MARANHÃO

São muitos, os fatos escandalosos que mancaram as páginas da história política maranhense.

Entre tantos, hoje vou me reportar apenas sobre alguns mais inusitados: o primeiro ocorreu em 1.950, quando o parnaramense Eugênio de Barros conseguiu registrar sua candidatura ao governo do Estado em pleno mandato de prefeito de Caxias.

Embora essa anomalia tenha sido reclamada juridicamente pelas Oposições Coligadas, o Tribunal Regional Eleitoral, inusitadamente não acatou as justificativas, e a campanha seguiu acirrada entre o vice governador Saturnino Belo e o alcaide e industrial de Caixas Eugênio Barros. 

O grupo de Eugênio Barros tinha o comando firme, porém draconiano do senador Vitorino Freire, velho oligarca que em mais de duas décadas antecedeu a era Sarney no manejo político do Estado.

Contados os votos, Saturnino Belo teve uma esmagadora maioria em São Luís. Mas a força da máquina governamental, como sempre, deu às Oposições Coligadas uma acanhada maioria no interior do Estado. Esse resultado motivou outro fato escandaloso protagonizado pela Justiça Eleitoral, anulando dezoito mil votos sufragados pelo heróico e civilizado povo da ilha rebelde. Com essa decisão espúria e sinistra, Eugênio Barros venceria o pleito eleitoral com seis mil votos de maioria.Todavia, o candidato das Oposições Coligadas, Saturnino Belo, não aguentando a fúria impiedosa das injustiças, vindo a perder sua preciosa vida vitimado por um infarto fulminante. 

O inopinado, trágico e prematuro falecimento de Saturnino Belo, causou um grande reboliço nos meios políticos do Maranhão. E, outra vez entra em ação o Tribunal Regional Eleitoral, decidindo pela diplomação de Eugênio Barros, contrariando o grupo oposicionista que pedia um novo pleito eleitoral.

Com esses sucessivos fatos, um movimento denominado de “Greve de 51” estourou em todo o Estado, visando impedir a posse de Eugênio Barros.

Muitos maranhenses tombaram em combates que ficaram marcados nas páginas sangrentas da nossa vida pública. 

Apesar da justa batalha, foi impossível impedir a investidura do parnaramense de Calengue no governo estadual.

CAFETEIRA COME A CARNE E DEVOLVE OS OSSOS

Em 1986 Epitácio Cafeteira, fora eleito governador do Maranhão pelo Movimento Democrático Brasileiro-MDB, tendo como vice, João Alberto de Sousa, o homem de irrestrita confiança do então presidente da República, José Sarney. As máquinas governamentais das esferas federal e estadual levaram Cafeteira a esmagar nas urnas o seu opositor, o senador João Castelo, com mais de um milhão de votos.

Enquanto Sarney esteve na presidência da República, o governador Epitácio Afonso Pereira Cafeteira, manteve uma lealdade quase canina ao chefe da Nação. Mas com a posse de Fernando Collor de Melo na presidência do Brasil, as coisas começaram a tomar um novo rumo.

Desprovido do poder político nacional, José Sarney aos poucos foi perdendo lideranças de peso na política estadual. O primeiro a romper foi o próprio governador Cafeteira, que ao renunciar em tempo hábil para buscar uma cadeira no Senado, surpreendeu toda a classe política maranhense, apoiando o senador João Castelo Ribeiro Gonçalves, que concorria pelo Partido da Renovação Nacional-PRN.

Atônito, o grupo Sarney lança a candidatura do senador Edison Lobão, pelo Partido da Frente Liberal-PFL.

JOÃO ALBERTO PROTAGONIZA UM NOVO CENÁRIO IMORAL

Enquanto exercia o mandato de vice governador, João Alberto de Sousa é eleito prefeito de Bacabal em 1988. Obviamente, ao tomar posse, automaticamente não seria mais vice governador do Maranhão. De acordo com os ditames da Constituição Estadual, esse cargo ficaria com o presidente da Assembléia Legislativa, exercido pelo brilhante deputado Ivar Figueiredo Saldanha. Todavia, inusitadamente, eis que surge o prefeito de Bacabal João Alberto de Sousa, que se dizendo ser ainda vice governador, assumiu o governo do Maranhão com o objetivo exclusivo de pôr toda a máquina e estadual a serviço da candidatura de Lobão, contraindo todos os princípios éticos, morais, constitucionais e democráticos. Como não poderia ser diferente, a polêmica chegou ao Tribunal de Justiça, onde o presidente da Corte, o desembargador Emésio Dário de Araújo, fugindo de todos os princípios morais, concedeu uma liminar genuinamente política, mantendo anomalamente João Alberto no cargo de Governador. 

ATOS ESPÚRIOS

Com o apoio incondicional da Justiça do Maranhão, João Alberto deitou e rolou, contrariando todos os limites legais para conduzir Edison Lobão ao Palácio dos Leões, chegando a contratar ao arrepio da lei, dezessete mil pessoas como servidores da máquina estatal com a finalidade exclusiva de angariar votos para eleger Lobão. Depois de eleito e empossado, Edison Lobão rescindiu todos os contratos, e mandou que a maioria da Assembléia Legislativa derrotasse o projeto de autoria do deputado J. J. Pereira, que visava efetivar todos os dezessete mil trabalhadores.

Com a candidatura da deputada estadual Conceição Andrade, pelo Partido Democrático Trabalhista-PDT e apoiada pelo prefeito de São Luis, Jackson Lago, o segundo turno foi inevitável. Castelo consegue vencer na primeira etapa com 135.850 votos. Mas na etapa complementar foi triturado pelas forças políticas e judiciárias do sofrido Maranhão, que por um instante chegou a ressuscitar os métodos exercitados pela oligarquia vitorinista. Com essa reviravolta, Lobão venceu no segundo turno com mais de cento e um mil votos. Cafeteira, no entanto, foi eleito senador da República.

 

Fonte: Blog JJ Pereira